Diferenças entre Contaminação e Irradiação

André Santiago
Por André Santiago Diretor de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da LinceRadio Publicado em Atualizado em

Muita gente tem dúvida e confunde os termos contaminação e irradiação quando o assunto é radioatividade ou radiação ionizante.

Por essa razão este texto foi feito. É fundamental saber diferenciar os dois conceitos para aplicar bem na atividade de Radioproteção.

Sem mais delongas, apresentamos as definições de cada um dos termos.

Diferença entre Contaminação e Irradiação

A contaminação é a presença de um material indesejável (radioativo ou não) em determinado local.

A irradiação é a exposição de um objeto ou de um corpo à radiação. É possível haver irradiação sem existir contaminação.

Um indivíduo pode sofrer irradiação total ou de parte de seus tecidos à radiação, podendo ter resultados bastante diferenciados, se esta exposição ocorreu de uma única vez, de maneira fracionada ou se periodicamente.

Desta forma, podemos entender que a irradiação é dividida em três tipos: exposição única, exposição fracionada e exposição periódica.

As exposições únicas podem ocorrer em exames radiológicos, como por exemplo, uma tomografia.

Nos tratamentos radioterápicos ocorrem exposições fracionadas.

Já as exposições periódicas acontecem em determinadas rotinas de trabalho com material radioativo em instalações nucleares.

Para uma mesma quantidade, os efeitos biológicos da radiação resultantes podem ser muito diferentes. Assim, se ao invés de fracionada, as doses de irradiação aplicadas nos pacientes em tratamentos de câncer, fossem dadas de uma única vez em cada um, a probabilidade de morte seria muito grande.

A exposição contínua ou periódica que o homem sofre da radiação cósmica, produz efeitos de difícil identificação. O mesmo não aconteceria, se a dose acumulada em 50 anos fosse concentrada numa única vez.

Exemplos de Exposição de Corpo Inteiro, Parcial ou Colimada

  • Um trabalhador que opera com material ou gerador de radiação ionizante pode expor o corpo todo ou parte dele, durante sua rotina ou num acidente.
  • Um operador de gamagrafia sofre irradiação de corpo inteiro, na sua rotina de expor, irradiar a peça, recolher e transportar a fonte.
  • Em alguns acidentes, como a perda e posterior resgate da fonte de irradiadores, expõe mais as extremidades do que as outras partes do corpo.
  • Uma pessoa que manipula radionuclídeos, expõe bastante suas mãos.
  • No tratamento radioterápico, a exposição do tumor a feixes colimados de radiação é feita com muita precisão e exatidão.
Uma dose altíssima de radiação instantânea pode causar a falência do sistema imunológico, enquanto a mesma quantidade distribuída em várias ocasiões não tem efeito danoso.
Exposição a feixes intensos, médios e fracos

Na esterilização e conservação de frutas, especiarias, peixes e carnes, com radiação gama, as doses aplicadas chegam a 10 kilograys(kGy) e em radioterapia, a 2 Gy por aplicação. São feixes intensos e capazes de induzir à morte uma pessoa se fossem aplicados de uma única vez e no corpo todo.

Os feixes utilizados em radiologia são de intensidade média, comparativamente, pois atingem alguns miligrays(mGy), e não devem ser recebidos por uma pessoa com muita frequência, sob pena de acarretar algum dano biológico.

A radioatividade natural induz ao homem doses de radiação da ordem de 1 mGy por ano. Poucos são os efeitos identificáveis e atribuídos exclusivamente a este tipo de radiação.

Exposição a fótons, partículas carregadas ou a nêutrons

A grande maioria das práticas com radiação ionizante envolve fótons provenientes de fontes de radiação gama ou geradores de raios X. É o que acontece em radiodiagnóstico, radioterapia, radiografia industrial e medição de nível e densidade.

Nas instalações nucleares, mas precisamente em seus reatores, além dos fótons, existem fluxos de nêutrons gerados na fissão dentro dos elementos combustíveis que atingem as áreas de manutenção e operação da máquina.

Alguns medidores de nível, de densidade e instrumentos para prospecção de petróleo, utilizam fontes e geradores de nêutrons.

Os feixes de partículas carregadas têm nos aceleradores lineares de elétrons, nos cíclotrons com feixes de prótons e nos radionuclídeos emissores beta e alfa, os principais representantes.

Os fótons e nêutrons constituem as radiações mais penetrantes e causam danos biológicos diferentes conforme a taxa de dose, energia e tipo de irradiação. Os feixes de elétrons têm um poder de penetração regulável, conforme a energia estabelecida na máquina aceleradora.

A radiação beta proveniente de radionuclídeos em aplicadores oftalmológicos e dermatológicos tem alcance de fração de milímetro no tecido humano.

As radiações alfa são muito pouco penetrantes, mas doses absorvidas devido a radionuclídeos de meia-vida curta incorporados nos sistemas respiratório ou digestivo de uma pessoa podem causar danos 20 vezes maiores que iguais valores de doses de radiação X, gama ou beta.

Quadro com quantidades de radiação

Unidades de Radiação

Hoje sabemos que a energia da radiação pode danificar o tecido vivo. A quantidade de energia acumulada nesse tecido vivo é expressa em termos de uma unidade denominada DOSE.

A dose de radiação pode vir de qualquer radionuclídeo ou de um certo número de radionuclídeos, mesmo eles permanecendo fora do corpo ou o irradiando por dentro. É o que acontece quando ocorre a inalação ou ingestão de material contaminado.

A quantidade de energia da radiação absorvida por quilograma de tecido é chamada de dose absorvida e é expressa em uma unidade denominada Gray (Gy), em homenagem ao físico inglês, Harold Gray, pioneiro em biologia da radiação.

A dose oriunda de partículas alfa pode causar muito mais dano do que aquela proveniente de partículas beta ou de raios gama. Para comparar doses absorvidas resultantes de diferentes tipos de radiação, estas precisam ser calculadas por seu potencial de causar efeitos biológicos.

Podemos classificar as quantidades de doses de várias maneiras. O que deve ser levado em consideração é o quanto alguma parte do corpo ou todo o corpo, tenha sido irradiado, se uma ou muitas pessoas foram expostas e, também, o período de exposição.

Para comparar doses absorvidas resultantes de diferentes tipos de radiação, estas precisam ser ponderadas por seu potencial de causar certos tipos de danos biológicos.

A dose ponderada é denominada dose equivalente, a qual é avaliada em uma unidade chamada Sievert (Sv), em homenagem ao cientista sueco Rolf Sievert.

Um sievert equivale a 1.000 milisieverts, assim como um litro equivale a 1.000 mililitros e um metro a 1.000 milímetros.

O complexo sistema de quantidades de radiação é um ordenamento necessário para constituir uma estrutura coerente. Isto permite que os especialistas em radioproteção façam o registro das doses individuais de forma consistente e comparável. Tal registro e avaliação são de extrema importância para as pessoas que trabalham com radiação e que estão sujeitas à exposição devido a natureza de seu trabalho.

O registro da dose efetiva é um indicador da probabilidade de indução de câncer e de efeitos genéticos advindos de baixas doses, e não como medida da gravidade de efeitos para altas doses.

Para entendermos claramente as unidades de medida da radiação no organismo humano é necessário levar em consideração que algumas partes do corpo são mais vulneráveis que outras.

Por exemplo, uma dada dose equivalente de radiação é mais provável que possa induzir um câncer no pulmão do que no fígado, sendo os órgãos reprodutores os de particular preocupação devido ao risco de efeitos hereditários.

Portanto, a fim de comparar doses quando diferentes tecidos e órgãos são irradiados, as doses equivalentes para diferentes partes do corpo são também ponderadas, sendo o resultado denominado dose efetiva, também expressa em Sievert (Sv).

Mas como evitar os perigos de contaminação e reduzir a irradiação por radiação ionizante?

A radiação e em especial a radiação ionizante acarretam diversos efeitos biológicos aos indivíduos expostos ou contaminados por ela. Por isso, a melhor forma de evitar os efeitos estocásticos e determinísticos da radiação ionizante no ambiente de trabalho é através de um Serviço de Radioproteção bem preparado.

Se sua equipe tem IOEs (Indivíduos Ocupacionalmente Expostos) é necessário estabelecer um Plano de Radioproteção detalhado e eficiente para que todos os profissionais expostos à radiação tenham a proteção adequada de acordo com as normas da CNEN.

Também é possível contratar empresas especializadas em Radioproteção para cuidar da proteção radiológica da sua empresa ou da empresa que você trabalha.

Para você que deseja ser um especialista no assunto, preparamos um material completo com tudo o que você precisa saber sobre Radioproteção.

FONTES:

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