O que é um IOE?

André Santiago
Por André Santiago Diretor de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da LinceRadio Publicado em Atualizado em

O que é um IOE?

IOE é a abreviação para Indivíduo Ocupacionalmente Exposto. A prática de um IOE diz respeito à exposição normal ou potencial do indivíduo a toda atividade humana que introduz fontes de exposição, vias de exposição adicionais ou estende a exposição a mais pessoas. Também está relacionada modificação do conjunto de vias de exposição de vida a fontes existentes, aumentando a probabilidade de exposição de pessoas ou o número de pessoas expostas.

A regulação da segurança radiológica é estabelecida em bases legais, governamentais e técnicas.

As empresas que lidam com materiais radioativos mesmo que não como produto, mas como parte ou consequência da dinâmica da atividade são obrigadas a seguir as normas da CNEN se quiserem continuar em atividade.

Por essa razão é fundamental seguir os princípios e cuidados normatizados pela instituição que regulamenta e fiscaliza toda ocorrência dentro e fora do âmbito profissional acerca de materiais radioativos.

Os 3 princípios fundamentais da Radioproteção estão ligados à Justificação, Otimização e Limitação dos efeitos da radiação ionizante.

Justificação

Os objetivos fundamentais da Radioproteção são prevenir ou diminuir os seus efeitos somáticos e reduzir a deterioração genética das pessoas, onde o problema das exposições crônicas adquire importância fundamental.

Considera-se que a dose acumulada num período de vários anos seja o fator preponderante, mesmo que as doses intermitentes recebidas durante esse período sejam pequenas.

As doses resultantes da radiação natural e dos tratamentos médicos (Ex: raios X) não são consideradas nas doses acumuladas.

Por esse motivo, recomenda-se aos médicos e dentistas que tenham o máximo cuidado no uso dos raios X e demais radiações ionizantes, para evitar exposições desnecessárias.

Mesmo assim, pesquisas e avaliações das doses e efeitos sobre a radioatividade natural e o uso das radiações ionizantes em Medicina e outras áreas de aplicação, são contínuas e crescentemente realizados.

Dessa forma, qualquer atividade envolvendo radiação ou exposição deve ser justificada em relação a outras alternativas e produzir um benefício líquido positivo para a sociedade.

Otimização

O princípio básico da radioproteção ocupacional estabelece que todas as exposições devem ser mantidas tão baixas quanto razoavelmente exequíveis (ALARA – As Low As Reasonably Achievable).

Estudos epidemiológicos e radiobiológicos em baixas doses mostraram que não existe um limiar real de dose para os efeitos estocásticos.

Assim, qualquer exposição de um tecido envolve um risco carcinogênico, dependendo da radiossensibilidade desse tecido por unidade de dose equivalente(coeficiente de risco somático).

Além disso, qualquer exposição das gônadas(testículos e ovários) pode levar a um detrimento genético nos descendentes do indivíduo exposto.

O princípio ALARA estabelece, portanto, a necessidade do aumento do nível de proteção a um ponto tal que aperfeiçoamentos posteriores produziriam reduções menos significantes do que os esforços necessários. A aplicação desse princípio requer a otimização da radioproteção em todas as situações onde possam ser controladas por medidas de proteção, particularmente na seleção, planejamento de equipamentos, operações e sistemas de proteção.

Os esforços envolvidos na proteção e o detrimento da radiação podem ser considerados em termos de custos; desta forma uma otimização em termos quantitativos pode ser realizada com base numa análise custo-benefício.

Limitação

Um dos objetivos da radioproteção é a de manter os limites de dose equivalente anual para os tecidos. Os níveis precisam estar abaixo do limiar do detrimento para os efeitos não-estocásticos para o tecido.

Dessa forma impõe-se que as doses particulares de Indivíduos Ocupacionalmente Expostos(IOE) e de indivíduos do público não devem exceder os limites anuais de doses estabelecidos.

A radioproteção também tem como função limitar a probabilidade de ocorrência de efeitos estocásticos.

A limitação de dose para efeitos estocásticos é baseada no princípio de que o detrimento deve ser igual, seja para irradiação uniforme de corpo inteiro, seja para irradiação não uniforme.

Os fatores de peso para os vários tecidos ou órgão usados para o cálculo da Dose Efetiva ou de Corpo Inteiro, estão recomendados nas publicações Nº 26 e 60 da ICRP Os fatores da ICRP 60 são os estabelecidos na Norma CNEN-NN-3.01, de 2011. Em condições de exposição rotineira, nenhum IOE pode receber, por ano, doses efetivas ou equivalentes superiores aos limites primários estabelecidos por essa norma.

Os valores dos limites variam com o tempo. Eles dependem do estado de desenvolvimento da prática de radioproteção no mundo ou num determinado país, dos limites de detecção dos equipamentos que medem as grandezas operacionais vinculadas às grandezas primárias estabelecidas em norma e das prioridades estabelecidas pelos grupos humanos em determinada época.

Os limites secundários são utilizados para irradiações externa e interna. No caso de irradiação externa aplica-se o índice de dose equivalente de 20 mSv/ano. Para a irradiação interna, os limites são os anuais para a absorção de material radioativo via inalação ou ingestão, referidos ao Homem de Referência.

O Homem de Referência nada mais é do que alguém que serve de base para saber se o nível de radiação de um determinado grupo de pessoas, normalmente em razão ocupacional, está aumentando ou diminuindo em relação ao parâmetro estabelecido como referência.

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Cuidados Básicos de Radioproteção

As radiações externas podem ser controladas operando-se com três parâmetros fundamentais: tempo, distância e blindagem.

Tempo

A dose acumulada por uma pessoa que trabalha numa área exposta a uma determinada taxa de dose é diretamente proporcional ao tempo em que ela permanece na área. Essa dose pode ser controlada pela limitação desse tempo:

Fórmula tempo

Como o tempo de permanência em áreas de trabalho nas quais existem materiais radioativos ou fontes de radiação, conforme o tipo de tarefa a ser realizada, devem ser empregadas procedimentos de redução na dose do IOE.

Os recursos mais utilizados são: o aumento da distância ou a introdução de material de blindagem entre o homem e a fonte de radiação.

Deve-se sempre ter em mente que quanto menor o tempo de exposição, menores serão os efeitos causados pela radiação.

Porém, o recurso mais eficaz de redução do tempo de execução de uma tarefa é o treinamento do operador, a otimização de sua habilidade.

Distância

Para uma fonte puntiforme, emitindo radiações em todas as direções, o fluxo, que é proporcional à taxa de dose numa determinada distância r da fonte, é inversamente proporcional ao quadrado dessa distância.

Cabe lembrar que essa relação somente é verdadeira para uma fonte puntiforme, um detector puntiforme e absorção desprezível entre a fonte e o detector. Isto porque ela se baseia no ângulo sólido definido pela fonte(puntiforme) e a superfície de uma calota esférica definida pela distância r, entre fonte e objeto alvo, durante o tempo t de exposição.

A lei do inverso do quadrado é dada por:

Fórmula distância

onde é a taxa de dose na distância r1 da fonte e é a taxa de dose na distância r2 da fonte.
Note-se que duplicando a distância entre a fonte e o detector, reduz-se a taxa de dose a 1/4 de seu valor inicial. Dessa forma, o modo mais fácil de evitar exposição às radiações ionizantes é ficar longe da fonte.

Blindagem

As pessoas que trabalham com fontes ou geradores de radiação ionizante devem dispor de procedimentos técnicos bem elaborados de modo que o objetivo da tarefa seja concretizado e sua segurança esteja garantida contra exposições desnecessárias ou acidentais.

Os cuidados mencionados anteriormente, fatores de tempo e distância em relação às fontes radioativas estão implícitos na habilidade e destreza de um técnico bem treinado para a tarefa.

Por não apresentar hesitações durante sua execução, sua duração é mínima(tempo); por dominar todos os elementos do processo, não comete enganos, se posiciona no lugar adequado(distância) e com a postura correta.

Entretanto, em certas situações, principalmente quando se opera com fontes intensas ou níveis elevados de radiação, além de colimadores, aventais, labirintos e outros artefatos, é necessário introduzir outro fator de segurança: a blindagem ou barreira.

A escolha do material de blindagem depende do tipo de radiação, atividade da fonte e da taxa de dose que é aceitável fora do material de blindagem.

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IOEs e Dosímetros

Dosímetro é um tipo de monitor que mede determinadas grandezas radiológicas ou operacionais, mas com resultados relacionados ao corpo inteiro, órgão ou tecido humano.

Trata-se de um equipamento simples que acompanha o IOE durante suas atividades. É uma maneira eficiente de controlar o quanto o indivíduo esta sendo exposto à radiação ionizante.

Além das propriedades gerais de um monitor de radiação o dosímetro deve ter as seguintes características:

  • Resultados em dose absorvida ou dose efetiva (ou taxa);
  • Ser construído com material tecido-equivalente;
  • Possuir fator de calibração bem estabelecido;
  • Suas leituras e calibrações são rastreadas a um laboratório nacional e à rede do BIPM(International Bureau of Weights and Measures);
  • Incertezas bem estabelecidas e adequadas para sua aplicação;
  • Modelo adequado para cada aplicação;
  • Modelo adequado para cada tipo e intensidade de feixe.

O dosímetro pode ser utilizado em medições absolutas, como por exemplo, em câmaras de ar livre, câmaras cavitária de grafite ou câmaras de extrapolação.

Nas medições relativas, onde é necessário conhecer o fator de calibração (rastreamento metrológico), são muito utilizadas as câmaras tipo dedal para fótons e elétrons, câmaras de placas paralelas para raios X de baixa energia e elétrons de alta energia, as câmaras esféricas de grande volume para radioproteção.

Estes modelos descritos podem atuar como padrões de laboratórios, sendo usados em clínicas de radioterapia ou para dosimetria de feixes ou de indivíduos.

Responsabilidade dos IOEs da instalação

O Plano de Radioproteção de uma empresa deve estabelecer as duas atribuições fundamentais dos IOEs da instalação.

  • Executar as atividades de rotina em conformidade com regulamentos de segurança e radioproteção estabelecidos pelo Titular(Direção) da Instalação;
  • Informar ao Serviço de Radioproteção e aos seus superiores, qualquer evento anormal que possa acarretar níveis de exposição ou risco de ocorrência de acidentes.

Vimos que os IOEs têm um papel fundamental dentro das instalações nas quais seus colaboradores correm risco de exposição à radiação ionizante. Estes profissionais seguem princípios básicos de Radioproteção.


Mas como os IOEs fazem para realmente enfrentar os perigos da radiação ionizante?

A radiação e em especial a radiação ionizante acarretam diversos efeitos biológicos aos indivíduos expostos a ela de acordo com a dose e a forma de resposta. Por isso, a melhor forma de evitar os efeitos estocásticos e determinísticos da radiação ionizante no ambiente de trabalho é através de um Serviço de Radioproteção bem preparado.

Se sua equipe tem Indivíduos Ocupacionalmente Expostos é necessário estabelecer um Plano de Radioproteção detalhado e eficiente para que todos os profissionais expostos à radiação tenham a proteção adequada de acordo com as normas da CNEN.

Também é possível contratar empresas especializadas em Radioproteção para cuidar da proteção radiológica da sua empresa ou da empresa que você trabalha.

Para você que deseja ser um especialista no assunto, preparamos um material completo com tudo o que você precisa saber sobre Radioproteção.

Quer contar com a Radioproteção da LinceRadio na sua empresa?

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