Offshore – Os 3 maiores riscos da exposição à radiação

André Santiago
Por André Santiago Diretor de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da LinceRadio Publicado em Atualizado em

Você trabalha ou conhece alguém que trabalha embarcado em plataformas de petróleo offshore?

Engenheiros, técnicos de segurança do trabalho, médicos, enfermeiros, mecânicos, supervisores etc. Todos os profissionais que trabalham embarcados no offshore podem estar correndo risco de irradiação ou contaminação por radiação ionizante devido ao total desconhecimento da situação que vivenciam no ambiente de trabalho.

Gostaria de falar diretamente com você que respondeu sim para a minha pergunta.

Você que trabalha ou tem um conhecido que atua no segmento offshore, fique atento!

O alerta serve principalmente para engenheiros e técnicos em Segurança do Trabalho, HSE, radioproteção em geral.

Muitos profissionais não têm consciência que podem estar expostos à radiação em uma plataforma de petróleo.

Está surpreso?

Isso é mais comum do que você imagina.

Escrevi este artigo para te alertar sobre os maiores perigos que os profissionais que trabalham embarcados estão correndo por total desconhecimento sobre o que acontece nas plataformas de petróleo.

Os 3 principais riscos de exposição à radiação em plataformas offshore são:

Além dos perigos com radiação ionizante mais recorrentes na indústria offshore, vamos apresentar os efeitos biológicos da radiação nos seres humanos.

De FPSOs, passando por Plataformas de Petróleo e chegando até as Sondas de Perfuração, todos os ativos offshore precisam do serviço de radioproteção.

1. Os riscos de fontes radioativas em instrumentos de origem estrangeira

A produção de petróleo requer uma série de equipamentos tanto para a extração quanto para a medição exigida em cada um dos processos envolvidos na atividade. Devido a complexidade da extração e medição de petróleo, alguns medidores nucleares são utilizados. A tecnologia nuclear de medição usa fontes radioativas no seu funcionamento, o que exige um cuidado especial para tudo que envolver esse tipo de equipamento. Boa parte desse tipo de equipamento é importado e segue os padrões internacionais de segurança.

O risco está na chegada dos instrumentos com fontes radioativas ao nosso país. Ao chegar em território brasileiro, o que engloba toda a faixa costeira do país onde estão as plataformas offshore, os equipamentos de origem estrangeira necessitam adquirir a licença nacional de utilização.

O órgão brasileiro responsável pelo licenciamento, regulação e fiscalização de tudo que envolve fontes radioativas é a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

O dever da CNEN é garantir a total segurança na operação dos materiais e equipamentos radioativos manipulados no Brasil. As principais licenças de autorização, segurança e trabalho envolvendo radioatividade no país passam pela Comissão.

É fundamental acolher de maneira integral todas as normativas estabelecidas pelas publicações da CNEN para manter a segurança no trabalho e a legalidade dos serviços.

Outro órgão que tem influência nas atividades envolvendo materiais radioativos, mas não tem valor regulatório direto é a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).  Embora não tenha o poder de impor sua aplicação aos países, a agência tem rígidos padrões de segurança estabelecidos e os oferece através programas de cooperação técnica, tais como missões de peritos, treinamentos e participação em congressos.

A CNEN sempre leva em consideração os padrões normativos da AIEA na elaboração de suas normas nucleares e demais atividades regulatórias. Por essa razão, é importante dar atenção a tudo que esses e outras instituições ligadas ao manejo de produtos radioativos tem divulgam.

O grande problema dos medidores nucleares e outros equipamentos que vêm do exterior diretamente paras as unidades offshore é que não é dado todo o cuidado necessário que esse tipo de material exige.

A radiação não tem cor, não tem cheiro e se você não tiver contato direto ao material radioativo, é muito difícil perceber a sua presença.

Os profissionais ficam expostos à radiação sem saber. Operam ou transportam equipamentos com fonte radioativa sem saber. A CNEN não coloca o segmento offshore como uma de suas prioridades, por isso a normatização e o estabelecimento de procedimentos técnicos de radioproteção ficam bastante prejudicados.

É fundamental ter um serviço de radioproteção preparado para receber esse tipo de material na embarcação. A equipe de radioproteção pode orientar além do recebimento dos equipamentos com fontes radioativas, a implementação e treinamento para medidas de segurança específicas para cada procedimento envolvendo tecnologia nuclear.

Somente com um serviço de radioproteção devidamente implementado você ou os funcionários que você gerencia terão a segurança necessária para operar dosímetros, estabelecer perímetros, manusear, transportar e garantir a integridade da fonte radioativa que operam.

Outra medida importante é a regularização da posse dos equipamentos que chegam do exterior diretamente nas embarcações, mediante a obtenção de uma licença de operação. Uma equipe especializada pode certificar os aparelhos com a licença da CNEN e assim regularizar o uso do equipamento.

Tudo isso diz respeito às fontes de radiação que estão sob a sua responsabilidade na unidade offshore. Mas, na embarcação onde você trabalha, você ainda recebe fontes de empresas terceirizadas que atuam na plataforma de petróleo em questão.

A equipe de Segurança do Trabalho também deve estar atenta e devidamente treinada para receber materiais com tecnologia nuclear de outras empresas em sua embarcação.

2. Os riscos do embarque temporário de fontes radioativas

Muitas operações realizadas nas unidades offshore são executadas por empresas terceirizadas.

Os prestadores de serviço terceirizados trazem para dentro das embarcações seus próprios equipamentos. Uma das principais atividades que embarcam temporariamente instrumentos com fonte radioativa é o serviço de gamagrafia. O material de trabalho deste tipo permanece embarcado por todo o período que a operação terceirizada estabelecer: desde a chegada dos equipamentos necessários, passando pela execução e finalmente na retirada ao fim da operação contratada.

Esse tipo de equipamento é pesado e de difícil manuseio. Não são transportados por helicóptero, mas sim por balsa, em contêineres para dentro da embarcação. O transporte pela balsa é programado com antecedência. A balsa atraca ao navio, sonda ou plataforma e um guindaste suspende o equipamento contendo a fonte radioativa para dentro da embarcação.

É aí que os riscos do embarque temporário de equipamentos com fontes radioativas começam a aparecer.

Quando o guindaste está transportando o contêiner contendo o equipamento da balsa para dentro da embarcação pode ocorrer algum acidente que afete a integridade da fonte radioativa no interior do instrumento.

A equipe da embarcação deve estar devidamente treinada para agir diante de tal situação. Todos os profissionais embarcados devem ter noções básicas de radioproteção e, em especial, os responsáveis pela Segurança do Trabalho (engenheiros e técnicos) e o departamento médico (técnicos, enfermeiros e médicos).

É fundamental saber como proceder diante de incidentes envolvendo radiação desde os cuidados em primeiros socorros até as medidas de radioproteção para delimitar áreas de contaminação e exposição.

Somente com um treinamento prévio medidas de radioproteção podem ser adotadas e assim evitar completamente a contaminação e a exposição excessiva ao material radioativo no interior da embarcação.

Além do risco extremo inerente à ocorrência de acidentes envolvendo fontes radioativas, deve-se levar em consideração outro cenário rotineiro. É o que acontece quando o transporte da balsa para a embarcação ocorre sem intercorrências.

O contêiner contendo o equipamento é embarcado e fica por um bom tempo sob responsabilidade da direção da unidade offshore. Entretanto, o local onde qualquer material contendo fonte radioativa deve ser isolado e identificado de acordo com as exigências da CNEN. Dessa maneira a fonte radioativa terá sua integridade mantida e o risco de irradiação salvaguardado.

Outra medida a ser tomada se dá pela informação. Grande parte da tripulação de uma plataforma não tem a menor noção de que possam estar expostos à radiação. Por isso é de suma importância, além das placas e sinais de advertências, fazer um trabalho de educação com cada um dos tripulantes e fazer com que os níveis de exposição sejam os mais baixos possíveis, cumprindo as exigências do órgão regulador.

Estabelecer um Plano de Contingência específico para a embarcação que você trabalha é essencial no combate aos acidentes de trabalho em offshore envolvendo radiação ionizante.

 

3. Os riscos de contaminação por NORM/TENORM em plataformas offshore

NORM e TENORM são materiais radioativos de ocorrência natural. E eles podem estar aí na indústria em que você trabalha. Fique atento.

Os órgãos brasileiros responsáveis pela normatização e fiscalização de atividades que envolvem materiais radioativos estão atentos em relação à ocorrência desse tipo de material na indústria offshore, apesar de não haver legislação específica que regule o assunto. Por enquanto.

Contudo, os riscos são reais. Podem acarretar sérios danos físicos (incluído o óbito) aos funcionários envolvidos e dispendiosos processos civis e trabalhistas para os gestores e encarregados.

Além da indústria de produção de energia, o NORM/TENORM também é encontrado no segmento de mineração e nos produtos de consumo. Se você não quer ficar exposto a radiação nem quer que seus colegas ou funcionários também estejam, o ideal é ficar atento.

Como ocorre a contaminação por NORM/TENORM em plataformas offshore?

A indústria de óleo e gás explora suas matérias-primas em regiões caracterizadas pela presença de elementos radioativos de ocorrência natural. Os processos que envolvem as instalações offshore acumulam materiais radioativos nocivos à saúde em seus sistemas. Linhas, tanques e vasos acabam formando depósitos e incrustações em suas paredes.

O acúmulo gerado no decorrer da atividade requer uma avaliação das possíveis consequências que a exposição à radiação podem acarretar aos trabalhadores envolvidos na manutenção do sistema.

O risco de contaminação radioativa está relacionado aos radionuclídeos concentrados durante o processo de extração, transporte e/ou produção de petróleo e gás. A ocorrência se dá pelo acúmulo de lodo e resíduos de petróleo nos equipamentos de extração, as chamadas incrustações.

As incrustações radioativas reduzem a capacidade de produção da planta, dos sistemas de elevação e escoamento, exigindo paradas programadas para intervenções (limpezas, squeezes, troca de elementos, etc.), com custos normalmente elevados, comprometendo as metas de produção e a eficiência operacional.

Estas paradas para manutenção são conhecidas por shutdowns. É nesse momento que ocorrem a maior parte das contaminações. Os profissionais estão expostos a uma grande quantidade de fontes, pois estão fazendo a limpeza de uma material que contém elementos radioativos. Por essa razão é que durante o shutdown as medidas de radioproteção devem ser aplicadas com o mais rigoroso critério.

Além da exposição à radiação, a contaminação interna (inalação e/ou ingestão) é o maior risco envolvendo esse procedimento.

Durante a limpeza e manutenção das incrustações, peças são cortadas e poderosos jatos são usados, o que acarreta no lançamento de minúsculos fragmentos contendo material radioativo no ambiente de trabalho.

A contaminação interna por elementos radioativos é uma das mais perigosas, pois causa efeitos imediatos aos órgãos contaminados, podendo levar à morte. Diferente do que acontece com a exposição à radiação. Ao estar exposto, o efeito é apenas potencializado, ocasionando consequências mais drásticas somente com a recorrência excessiva à exposição.

A maior incidência de material radioativo na produção offshore ocorre nas limpezas e manutenções de tanques e vasos de embarcações do tipo FSPO.

O que é um FPSO?

Ilustração fpso
FPSO é a sigla em inglês para Floating Production Storage and Offloading Unit. Trata-se de uma embarcação flutuante construída para produzir, armazenar, processar e transferir petróleo. É uma unidade da indústria offshore bastante utilizada para extrações em locais com lâmina d’água de grande extensão. É um tipo de embarcação offshore ideal para poços com profundidade superior a dois mil metros.

Uma das vantagens do uso de uma plataforma como essa é a capacidade de estocagem, o que faz com que ela possa ficar à deriva e opere por um tempo consideravelmente grande.

É necessário deixar claro que tal estocagem só é possível devido ao sistema de processamento do óleo, que passa por equipamentos responsáveis pelo separação de petróleo e água, como também pelo tratamento inicial. É nesse processo que o NORM se instala nas paredes e vasos do reservatório e o risco de contaminação aparece.

​O controle dos poços explorados por esse modelo de embarcação acontece no fundo do mar, já que não apresenta estabilidade suficiente para garantir segurança para um controle de poço feito na superfície.

​Uma plataforma como essa tem a capacidade de processar cerca de 140 mil barris de óleo por dia e tem capacidade de armazenamento de aproximadamente 1,4 milhões de barris de óleo.

Cuidados de radioproteção para NORM/TENORM em offshore

Quando falamos de medidas de radioproteção, devemos nos basear no órgão máximo do Brasil responsável principalmente pela normatização e fiscalização das atividades que envolvem materiais radioativos. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) é a instituição que cuida da segurança nuclear do país e consequentemente de tudo que envolve radiação.

Porém, no que tange à radiação envolvendo offshore, existe uma lacuna normativa. Falta por parte da CNEN um procedimento operacional detalhado para o manejo de situações que envolvam radiação e embarcações petroleiras. Não existe um protocolo a ser seguido tanto para a gestão NORM/TENORM quanto para os outros riscos que elencamos nesta lista.

Mas o que fazer?

Como vimos, a radioatividade existente nos materiais encontrados durante a exploração, pois se tratam de materiais radioativos de ocorrência natural (NORM) e de baixa atividade específica (ISA – Low Specific Activity). Esse tipo de material apresenta níveis de taxa de dose que não limitam as atividades dos trabalhadores, mas, em alguns casos, ultrapassam os limites derivados para Indivíduos do Público.

Por exemplo, empresas que realizam perfilagem de poços de petróleo necessariamente precisam ter um serviço de radioproteção. É o que prevê a Norma Técnica nº 3.02, de 01/08/1988 da CNEN. Nesta regra são elencados os requisitos relativos à implantação e ao funcionamento de serviços de radioproteção em instalações nucleares e radioativas.

A atividade de perfilagem envolve riscos em todo o processo, contendo fontes radioativas nas etapas de armazenamento, transporte, calibração e realização do trabalho. Para isto, portanto, devem ser cumpridos prerrequisitos legais determinados pelas normas da CNEN, são elas:

  • Norma Técnica nº 3.01, de 06/01/2005 que estabelece os requisitos básicos de proteção radiológica das pessoas em relação à exposição à radiação ionizante. Esta Norma é aplicada em todo o envolvimento de fontes radioativas nas práticas de manuseio, produção, posse e a utilização de fontes, bem como o transporte, o armazenamento e a deposição de materiais radioativos, abrangendo todas as atividades relacionadas que possam envolver exposição à radiação;
  • Norma Técnica nº 5.01, de 01/08/1988 que estabelece requisitos de radioproteção e segurança, com relação ao transporte de materiais radioativos, a fim de garantir um nível adequado de controle da eventual exposição de pessoas, bens e meio ambiente à radiação ionizante. A norma trata das especificações sobre materiais radioativos para transporte, da seleção do tipo de embalado, das especificações dos requisitos de projeto e de ensaios de aceitação de embalados, das disposições pertinentes ao transporte propriamente dito e das responsabilidades e requisitos administrativos (CNEN, 1988b);
  • Norma Técnica nº 6.02, de 16/04/2014 que dispõe sobre o licenciamento de instalações radioativas que utilizam fontes seladas, fontes não-seladas, equipamentos geradores de radiação ionizante e instalações radioativas para produção de radioisótopos;
  • Norma Técnica nº 7.01, de 30/05/2016 que dispõe sobre a certificação da qualificação de supervisores de proteção radiológica.pode provocar câncer e danos à estrutura do DNA, afetando inclusive futuras gerações.

A CNEN disponibiliza um breve roteiro sobre a radioproteção na perfilagem de petróleo.

Afinal de contas, o que é NORM/TENORM?

NORM e TENORM são materiais radioativos de ocorrência natural. E eles estão presentes no processo de extração de petróleo.

NORM é a sigla para Naturally Occurring Radioactive Materials ou, em bom português, materiais radioativos de ocorrência natural. Trata-se de materiais obtidos a partir de núcleos radioativos como são os casos das séries de Urânio-238 e Tório-232.

Enquanto NORM diz respeito aos materiais radioativos que não sofreram nenhum tipo de interação humana, o TENORM se caracteriza exatamente pela ação humana sobre estes materiais.

TENORM são os materiais radioativos de ocorrência natural tecnologicamente concentrados (Technologically Enhanced Naturally Occurring Radioactive Materials). Decorrem do processamento ou manipulação do material NORM de modo que este manuseio potencialize a exposição à radiação ionizante.

Para compreender um pouco mais sobre as implicações dos materiais radioativos de ocorrência natural é preciso relembrar alguns conceitos fundamentais sobre NORM/TENORM.

Vamos começar com uma definição básica de algo que diz respeito a tudo o que existe no planeta Terra e além dele.

Toda a matéria existente no Universo é constituída por átomos. Estes são formados por diversas combinações entre prótons, nêutrons e elétrons. Em razão dessas combinações, os átomos adquirem propriedades físico-químicas bem estabelecidas permitindo identificar cada um deles como sendo um elemento químico específico.

Mas não para por aí.

Um mesmo elemento pode se apresentar de diferentes formas levando em consideração o seu arranjo atômico.

É o que acontece com os famosos isótopos. Eles têm comportamento químico idêntico aos demais tipos de átomos de um elemento. A diferença é que os isótopos têm o número de nêutrons diferentes , mesmo tendo números de prótons iguais. Tal variação resulta em átomos mais ou menos instáveis apesar de se tratarem de variações de um só elemento.

É o caso do Urânio que tem os isótopos U-234, U-235 e U-238.

Ilustração Estrutura do Átomo

A instabilidade dos átomos está associada a um excesso de energia acumulada que tende a ser liberada sob a forma das temidas radiações. Trata-se de um processo chamado decaimento. Consiste na liberação do excesso de energia do átomo para tornar-se mais estável. A radiação emitida durante o decaimento pode reverter-se em pura energia eletromagnética ou na expulsão de partículas do núcleo do átomo.

Os isótopos instáveis estão distribuídos em diversos elementos espalhados pela natureza. Geralmente ficam acumulados em formações rochosas e na composição característica de cada ambiente, como é o caso das bacias petrolíferas.

O acúmulo de elementos instáveis é conhecido como Background e faz parte do nosso já conhecido NORM.

Background(BG) ou Radiação de Fundo é radiação natural existente em cada ambiente ao qual um indivíduo está exposto. Como exemplo temos as radiações terrestre e cósmica. A radiação de fundo varia conforme a região geográfica e a formação rochosa que compõe a crosta terrestre naquele determinado ponto, sendo a média de 1,5 mSv por ano. Para fins de medição, é definida como a leitura real medida em contagens por segundo (CPS) quando tomado em uma área sabida de ser livre de contaminação radioativa/incrustações. A experiência demonstra que o intervalo típico é entre 1 a 3 CPS.

As exposições às radiações provenientes do NORM não sofrem restrições legais, dado que são provenientes da própria natureza.

Entretanto, a partir do momento em que estes isótopos são manipulados pelo homem passam a ser considerados TENORM e consequentemente são sujeitos a regulamentação específica.

No Brasil a regulamentação e regulação a cerca de materiais radioativos como NORM e TENORM fica a cargo da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Essa é a instituição responsável pela normatização, fiscalização e controle do uso de materiais radioativos em todo o país.

RADIAÇÃO IONIZANTE

Toda a matéria é formada por elementos como oxigênio, carbono e ferro. A maioria dos elementos encontrada no meio ambiente é estável. Apenas uma pequena fração destes elementos é instável ​​e se transformam (decaem) em nuclídeos de outro elemento durante o qual a radiação (excesso de energia ou partículas) é emitida.

De acordo com o NORM:GUIA PRÁTICO elaborado pelo IRD (Instituto de Radioproteção e Dosimetria) “o decaimento radioativo ou desintegração radioativa é a transformação, por meio da emissão de partículas alfa, beta ou de radiação gama, de núcleos com excesso de energia, conhecidos como radionuclídeos, em núcleos estáveis”.

Diferentes utilizações da radiação

Os átomos podem ser naturalmente estáveis ou instáveis. Os átomos que têm o núcleo instável, ou seja, aqueles que se transformam espontaneamente, liberam energia na forma de radiação.

Os átomos instáveis também são conhecidos como radionuclídeos. A energia liberada pelos radionuclídeos pode interagir com outros átomos e ionizá-los.

A ionização é o processo pelo qual os átomos se tornam positivamente ou negativamente carregados pelo ganho ou pela perda de elétrons.

A radiação ionizante transfere energia suficiente para expulsar os elétrons de sua órbita, resultando na criação de íons.

Os tipos mais comuns de radiação emitidos por radionuclídeos de ocorrência natural são as partículas alfa e beta (partículas) que são frequentemente acompanhadas pela radiação gama (onda eletromagnética).

Radioisótopos são isótopos de elementos radioativos utilizados principalmente na medicina (diagnóstico e terapia), indústria e com finalidade de pesquisa. Isótopo instável de um elemento que decai ou se desintegra, emitindo radiação.

Acho que agora deu para entender bem o que é ionização, decaimento e de onde vem os raios alfa, beta e gama.

Agora só falta saber um pouco mais sobre cada um desses principais tipos de radiação ionizante.

Tipos de Radiação

    • RADIAÇÃO ALFA (α) é um tipo de radiação corpuscular, correspondente a um núcleo de hélio carregado positivamente. Considerando que as partículas alfa emitidas por radionuclídeos de ocorrência natural são pesadas e carregadas eletricamente, elas têm um curto alcance e não conseguem penetrar a pele.
      Atenção: a radiação alfa é uma fonte de exposição interna quando inaladas e/ou ingeridas.

 

    • RADIAÇÃO BETA (β)corresponde a um elétron (podendo ter uma variante positiva, o pósitron) ejetado do núcleo. A penetração de partículas beta no organismo também é baixa. A maioria das partículas beta emitidas por radionuclídeos naturais são interrompidas por aproximadamente 0,5 cm de pele e tecido. Da mesma forma que acontece com a radiação alfa, também apresenta risco à saúde humana se inaladas e/ou ingeridas.

 

    • RADIAÇÃO GAMA (γ) é um tipo de radiação eletromagnética que por não terem massa e carga elétrica tornam-se muito penetrantes. Os raios gama podem passar pelo corpo, paredes de tubos e separadores sem qualquer absorção significativa devido a sua altíssima energia. Tem grande risco de exposição externa.

O FAMOSO RAIO X

Por causa do uso na medicina os raios-X são muito populares. Os raios-X assemelham-se aos raios gama, pois são fótons de energia pura. Raios-X e gama têm as mesmas propriedades básicas, mas vêm de diferentes partes do átomo. Os raios-X são emitidos em processos por fora, enquanto os raios gama se originam dentro do núcleo do átomo. Eles também são geralmente mais baixos em energia e, portanto, menos penetrantes do que os raios gama. Os raios-X podem ser produzidos naturalmente além dos aparelhos elétrico que somos acostumados a ver em hospitais e indústrias.

Poder de penetração da radiação

Quando a radiação penetra através dos tecidos, ela perde uma pequena parte de sua energia durante cada interação (colisão) com as moléculas nos tecidos corporais. Quando toda energia de radiação é perdida devido a colisões, a radiação para e não causa mais danos ao corpo humano.

A energia da radiação, que é absorvida por 1 quilograma de matéria ou tecidos, é chamada de dose de radiação. A unidade de dose de radiação é o Sievert.

Uma vez que 1 Sievert (Sv) é uma dose muito alta para ser utilizada na proteção de radiação operacional, é mais conveniente usar submúltiplos, como por exemplo o milliSievert (mSv) quando se refere a doses anuais (1 Sv = 1.000 mSv). A dose recebida durante um dia ou uma semana é ainda menor, por isso é útil usar uma unidade de dose chamada microSievert (μSv) (1 mSv = 1000 μSv).

Sievert (Sv) é a unidade do Sistema Internacional (SI) para medição da Dose Efetiva de radiação. As leituras normalmente são feitas em micro Sievert (µSv/h) ou mili Sievert por hora (mSv/h).

Efeitos biológicos da radiação

Os efeitos biológicos da radiação podem levar poucos dias ou até dezenas de anos para se manifestarem, sendo classificados em estocásticos ou determinísticos.

Estocásticos: são efeitos em que a probabilidade de ocorrência é proporcional à dose de radiação recebida, sem a existência de limiar. Isto significa que doses pequenas, abaixo dos limites estabelecidos por normas e recomendações de proteção radiológica, podem induzir tais efeitos. Neste tipo de efeito destaca-se o câncer.

Determinísticos: são efeitos causados por irradiação total ou localizada de um tecido, causando um grau de morte celular não compensado pela reposição ou reparo, com prejuízos detectáveis no funcionamento do tecido ou órgão. Existe um limiar de dose, abaixo do qual a perda de células é insuficiente para prejudicar o tecido ou órgão de um modo detectável. Isto significa que os efeitos determinísticos são produzidos por doses elevadas, acima do limiar, onde a severidade ou gravidade do dano aumenta com a dose aplicada. A probabilidade de efeito determinístico, assim definido, é considerada nula para valores de dose abaixo do limiar, e 100%, acima.

Infográfico dos órgãos mais sensíveis à radiação
Órgãos mais sensíveis à radiação ionizante

Qual é a diferença entre irradiação e contaminação?

Uma contaminação, radioativa ou não, caracteriza-se pela presença de um material em local indesejável. A irradiação é a exposição de um objeto ou um corpo à radiação, o que pode ocorrer a curta ou longa distância, sem nem ao menos a necessidade de contato.

Em exposições causadas por materiais NORM e TENORM não há potencial para que efeitos determinísticos sejam gerados, desde que respeitadas condições normais de trabalho, contudo, não há limites seguros para inalação e/ou ingestão de radioisótopos.

O uso de EPI(Equipamento de Proteção Individual) adequado é obrigatório. Lavagem das mãos e higiene pessoal também é algo fundamental para prevenir inalação e/ou ingestão de substâncias radioativas decorrentes de atividades que geram poeira.

Mas como enfrentar os perigos da radiação ionizante?

A radiação e em especial a radiação ionizante acarretam diversos efeitos biológicos aos indivíduos expostos a ela de acordo com a dose e a forma de resposta. Por isso, a melhor forma de evitar os efeitos estocásticos e determinísticos da radiação ionizante no ambiente de trabalho é através de um Serviço de Radioproteção bem preparado.

Se sua equipe tem IOEs (Indivíduos Ocupacionalmente Expostos) é necessário estabelecer um Plano de Radioproteção detalhado e eficiente para que todos os profissionais expostos à radiação tenham a proteção adequada de acordo com as normas da CNEN.

Também é possível contratar empresas especializadas em Radioproteção para cuidar da proteção radiológica da sua empresa ou da empresa que você trabalha.

Para você que deseja ser um especialista no assunto, preparamos um material completo com tudo o que você precisa saber sobre Radioproteção.

FONTES:

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