Descarte de Fontes Radioativas – como realizá-lo de forma correta?

Se você trabalha com fontes radioativas ou sabe que existe uma no seu meio ambiente de trabalho, precisa ficar atento a como está acontecendo (ou NÃO está) o descarte de fontes da empresa!
Todo equipamento que possui uma fonte radioativa incorporada, apesar de ter um tempo de vida útil bem extenso, em algum momento, deixa de ser possível de ser utilizado para o processo.
Por exemplo: para fazer um processo ser medido, você precisa de uma fonte de um valor de X mCi. Depois de um tempo, com o decaimento natural do material radioativo, o valor de mCi cai pela metade.
Por mais que a tecnologia do sistema sensor tenha avançado, você ainda assim precisa de uma atividade com valores próximos do inicial e essa fonte, com o valor de mCi pela metade, não comporta mais a capacidade necessária para o processo.

Então dizemos que esse equipamento virou um rejeito radioativo.

Em paralelo a isso, você tem equipamentos que podem ser danificados durante o processo. Eles podem se tornar rejeitos também. E muitas vezes pode compensar mais comprar um equipamento novo ao invés de mandar o equipamento ser reparado no exterior e importá-lo novamente depois, além dos próprios gastos com a reparação.

O que deve ser feito com o rejeito radioativo?

1 – Retirá-lo da planta de produção
O seu equipamento está obsoleto ou danificado? O primeiro passo é você retirá-lo da área e armazená-lo no seu bunker. Ele deve ser removido da operação logo para que sejam evitados danos ao patrimônio pessoal e ao meio ambiente.
Esse equipamento vai ficar no bunker somente pelo tempo necessário para que toda a parte burocrática junto a CNEN para o descarte seja providenciada.
2 – Comunicar o pedido de descarte do material na base da CNEN mais próxima
Você precisa fazer o pedido de orçamento para descarte do material em um dos pontos da CNEN mais próximos à você.
3 – Dar entrada no pedido de descarte
Após estar com o orçamento aprovado, você deve abrir um protocolo de descarte no portal CNEN (RTR), anexando o documento de aceite para o descarte já assinado e acompanhar os trâmites até seu deferimento.
4 – Agendar o descarte
Após toda a documentação estar devidamente aprovada, você deve agendar o dia e hora para entrega dos rejeitos com a base CNEN na qual fez o pedido.
5 – Providenciar o acondicionamento e transporte do material
O material precisa ser acondicionado de forma adequada. Em seguida, você precisa providenciar um transporte adequado, legalizado, licenciado e credenciado pela CNEN do material até o ponto final de destinação, incluindo toda a documentação obrigatória para o transporte.
6 – Dar baixa no seu inventário
Assim que ele for entregue à CNEN, você precisa realizar a baixa dessa fonte, material ou equipamento radioativo no seu inventário de fontes.

 

Quais são os principais desafios e erros ao realizar esse descarte de fontes radioativas?

O que é comum acontecer é que o equipamento fora de uso pode ficar armazenado no bunker da empresa por muito tempo. Como ele não está mais dando lucro ou funcionando de forma correta, acaba ficando largado e esquecido.

As principais razões para que isso ocorra são:

  • Por ser um processo muito trabalhoso, principalmente a parte burocrática, o material ou equipamento acaba sendo deixado de lado em detrimento de um novo.
  • Pela falta de conhecimento do profissional que vai lidar com esses rejeitos radioativos.
  • Pela falta de capacidade de as empresas realizarem o transporte por conta própria. Elas precisam ter um plano de transporte, aprovação da CNEN, precisam cumprir uma série de outras legislações relativas a movimentação da carga pelas rodovias, já que são rejeitos perigosos.

E quais são as consequências de não cuidar dos rejeitos radioativos da sua empresa?

Hoje em dia, por conta das legislações vigentes, as chances de acontecer um acidente radioativo são quase nulas.
Mas, por conta da falta de cuidados com materiais radioativos, tivemos, há mais de 30 anos, o acidente de Goiânia com o Césio-137. Ele foi o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo fora de usinas nucleares. O brilho azul emitido pelo Césio-157 ficou até conhecido como Brilho da Morte!

Até hoje as pessoas ainda sofrem com os efeitos da radiação!

Se a transferência do equipamento que continha a cápsula com o Césio-137 fosse feito de forma correta, entregando-o para que a CNEN o armazenasse de forma correta até que o novo centro de Radioterapia de Goiás estivesse pronto, seria tudo diferente!
Se o descarte de fontes não for feito de forma correta, acidentes podem acontecer.

Dessa forma, dá para entender como é de extrema importância que o descarte de fontes radioativas seja feito de forma correta, não dá?

As leis estão aí para serem seguidas à risca. Assim, você evita que acidentes de trabalho possam ocorrer, o que acarretaria em prejuízos humanos, materiais e ao meio ambiente.
É importante saber que a radiação – e em especial a radiação ionizante – causa diversos efeitos biológicos às pessoas expostas a ela, dependendo da dose de exposição.
Se você quer evitar todos os efeitos da radiação ionizante no ambiente de trabalho precisa de um Serviço de Radioproteção bem preparado.
Se você é ou a sua equipe possui um IOE (Indivíduo Ocupacionalmente Exposto), estabelecer um Plano de Radioproteção detalhado e eficiente é mandatório!
Quando você trabalha em uma indústria que utiliza fontes radioativas em seus processos, é necessário que todos os profissionais expostos à radiação tenham a proteção adequada, de acordo com as normas da CNEN.
Também é possível contratar empresas especializadas para cuidar da sua proteção radiológica se, por algum motivo, for gerada muita dor de cabeça ao implementar um Serviço de Radioproteção por conta própria.
Para você que deseja ser um especialista no assunto, preparamos um material completo com tudo o que você precisa saber sobre Radioproteção.
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FONTES:

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  • Mais de 3 mil horas executando serviços de Radioproteção
  • Mais de 200 clientes atendidos em todo país