Acidente nuclear de Chernobyl: o maior desastre nuclear de todos os tempos!

Há algumas semanas, fizemos um post sobre o acidente que ocorreu em Goiânia envolvendo o Césio-137. Se você trabalha com fontes radioativas, já deve ter ouvido falar. Se você não trabalha com fontes radioativas, já deve ter ouvido falar também! E é praticamente impossível, então, que você não conheça o acidente nuclear de Chernobyl, o maior desastre nuclear de todos os tempos!

Como o acidente nuclear de Chernobyl aconteceu?

A Usina Nuclear de Chernobyl, oficialmente conhecida como Usina Atômica V. I. Lenin durante a era soviética, começou a ser construída em 1970 em uma região remota perto da fronteira norte da Ucrânia, próxima da pequena cidade de Chernobyl.
A localização foi escolhida devido à sua proximidade (mas com uma distância segura, mesmo assim) com a capital da Ucrânia, um abastecimento de água pronto, vindo do rio Pripyat, e uma linha ferroviária existente.
A Usina Nuclear de Chernobyl foi a primeira a ser construída no país e era considerada a melhor e mais confiável das instalações nucleares da União Soviética.
No início da manhã de 26 de abril de 1986, uma equipe de homens na usina estava testando um recurso de segurança para verificar o funcionamento da usina em baixa energia. Para isso, a potência do Reator 4 foi reduzida, muito além do recomendado, resultando em um desligamento quase total do reator. O teste tinha falhado.
Os procedimentos de segurança exigiam que os operadores desligassem completamente o reator. Entretanto, o engenheiro-chefe adjunto responsável naquela noite insistiu que eles continuassem e que a potência fosse aumentada novamente. Porém, o reator, instável, não aguentou a pressão.
À 1h23 da madrugada de 26 de abril de 1986, o reator nuclear número 4 da usina explodiu. Alguns dos trabalhadores correram até o reator para ver o que estava acontecendo.

Eles foram fulminados e quase todos morreram imediatamente!

O teto, de mil toneladas, foi pelos ares. Quilos e quilos de material tóxico foram expelidos a 1km de altura. Com o núcleo exposto e emitindo radiação, o reator queimou por 10 dias, contaminado com radiação até três quartos do território europeu.

Entre os funcionários da usina e os primeiros bombeiros a chegar, 134 pessoas sofreram a chamada síndrome aguda de radiação, que é quando se recebe doses altíssimas de radiação. Dessas, 28 morreram imediatamente, 30 foram morrendo ao longo dos anos e 76 estão vivos até hoje.
O mundo permaneceu ignorante a respeito do acidente nuclear em Chernobyl até a manhã de segunda-feira, 28 de abril. Um sensor detectou níveis elevados de radiação no engenheiro Cliff Robinson quando ele chegou para trabalhar na usina nuclear Forsmark da Suécia, a mais de mil quilômetros de distância.

As nuvens tóxicas atingiram especialmente a Ucrânia e os vizinhos Bielorrússia e Rússia.

Moscou tentou esconder o acidente ocorrido e as autoridades esperaram o dia seguinte para evacuar os 48 mil habitantes de Pripyat, cidade localizada a apenas três quilômetros da usina, feita para os funcionários da usina morarem. O líder soviético Mikhail Gorbachev não falou publicamente do incidente até 14 de maio!

A “Pata de Elefante”

Um monstro nasceu do acidente nuclear de Chernobyl. Escondido nas profundezas das ruínas do Reator 4, esse monstro é uma das coisas mais perigosas no mundo.

Imediatamente após o seu derretimento, passar cinco minutos em sua presença traria a morte certa!

Mesmo nos dias de hoje, ele irradia calor e morte, mesmo que o seu poder tenha enfraquecido.
Depois que os incêndios nucleares foram finalmente controlados, trabalhadores da usina se desdobraram para conter os perigos invisíveis do núcleo destruído do Reator 4. O concreto abaixo do reator estava muito quente e foi rompido pela lava solidificada e formas cristalinas desconhecidas chamadas de “chernobylites”.
Com a ajuda de uma câmera remota, uma massa intensamente radioativa foi encontrada no porão do Reator 4, com mais de dois metros de largura e pesando centenas de toneladas. Ela foi chamada de “Pata de Elefante” por conta sua aparência enrugada.
Ela é uma massa sólida feita de combustível nuclear derretido misturado com concreto, areia e o material de vedação do núcleo que o combustível atravessou ao derretê-lo.
Após apenas 30 segundos de exposição, você iria sentir tonturas e fadiga até uma semana depois. Em dois minutos de exposição, as células do corpo começariam a sofrer hemorragia. Em quatro minutos, vômitos, diarreia e febre. Em cinco minutos você teria somente dois dias de vida.

A "Pata de Elefante" gerada pelo acidente nuclear de Chernobyl

Quais foram as consequências?

Depois que as autoridades reconheceram o acidente nuclear de Chernobyl, 116 mil pessoas precisaram deixar suas casas situadas na Zona de Exclusão. Nos anos seguintes, outras 230 mil pessoas precisaram fazer o mesmo.
Os agentes chegaram ao local quase sem proteção ou com um equipamento inadequado para encarar o ambiente tóxico. As roupas que eles vestiam só poderiam ser usadas uma vez, pois absorviam radiação demais para serem reutilizadas.
Cientistas calcularam que esses agentes só poderiam trabalhar no telhado do que restou do Reator 4 – e em outros lugares para onde destroços voaram – de 40 a 60 segundos por vez sem receberem uma dose de radiação que causasse risco de vida.
Além de conter o incêndio, precisaram limpar as zonas próximas e construir o Sarcófago para conter a radiação. Essa estrutura criada imediatamente depois do acidente, de maneira apressada, ameaçava começar a vazar material radioativo ou desabar, razão pela qual a comunidade internacional se comprometeu a construir uma nova proteção mais segura.
A construção de um novo Sarcófago começou finalmente em 2010 e a previsão é que esteja em operação ainda em 2018.
Com uma vida útil estimada em pelo menos cem anos, tempo que deve levar para a maior parte do trabalho de descomissionamento do Reator 4 ser feita.

Apesar disso, os conteúdos do Sarcófago de Chernobyl permanecerão radioativos por pelo menos 100.000 anos!


Após mais de três décadas do acidente nuclear de Chernobyl, o número de vítimas continua sendo alvo de polêmicas. Um controverso relatório publicado pela ONU em 2005 estimou em cerca de 4 mil as vítimas nos três países mais afetados. Um ano depois, o Greenpeace situou o número em torno de 100 mil vítimas.
De acordo com testes realizados por encomenda da organização ambientalista, a contaminação geral por isótopos perigosos, como o césio-137 e o estrôncio-90, diminuiu um pouco, mas ainda está presente, especialmente em locais como as florestas e no que as pessoas comem, bebem, na madeira que usam em construções e lareiras, de acordo com o relatório feito pelo Greenpeace.

Com desastres como o acidente nuclear de Chernobyl e o acidente com o Césio-137 em Goiânia, dá para entender como é preciso ter cuidado extremo quando se trabalha com fontes radioativas, não é?

Mesmo tendo ocorrido há mais de 30 anos, o acidente nuclear de Chernobyl ainda é impactante, tanto para quem viveu e ainda vive as consequências da exposição ao material radioativo quanto para quem ouviu ou leu sobre o assunto.
A radiação – e em especial a radiação ionizante – causa diversos efeitos biológicos às pessoas expostas a ela, dependendo da dose de exposição.
A melhor forma de evitar os efeitos estocásticos e determinísticos da radiação ionizante no ambiente de trabalho é através de um Serviço de Radioproteção bem preparado.
Se você é ou a sua equipe possui um IOE (Indivíduo Ocupacionalmente Exposto), estabelecer um Plano de Radioproteção detalhado e eficiente é mandatório!
Quando você trabalha em uma indústria que utiliza fontes radioativas em seus processos é necessário que todos os profissionais expostos à radiação tenham a proteção adequada, de acordo com as normas da CNEN.
Caso sua empresa ache muito dispendioso implementar um Serviço de Radioproteção, também é possível contratar empresas especializadas para cuidar da proteção radiológica.
Para você que deseja ser um especialista no assunto, preparamos um material completo com tudo o que você precisa saber sobre Radioproteção.
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FONTES:

  • Mais de 10 anos de experiência em Segurança do Trabalho junto às maiores indústrias do Brasil
  • Mais de 3 mil horas executando serviços de Radioproteção
  • Mais de 200 clientes atendidos em todo país