Como descontaminar e direcionar os rejeitos do seu ativo Offshore

Durante o processo de extração de óleo e gás em plataformas Offshore, o acúmulo de material radioativo de origem natural (NORM/TENORM) na planta de produção é normal, e estará sempre presente. 

Mas, e no caso de os níveis de exposição à radiação estarem muito altos? É sinal que está na hora de realizar a descontaminação da plataforma.

Continue lendo e saiba como realizar a descontaminação e dar o destino correto para os rejeitos radioativos gerados.

Como é feita a descontaminação de NORM/TENORM em uma plataforma Offshore?

Como dissemos, é esperado em plataformas Offshore que haja algum tipo de contaminação em equipamentos, ferramentas e até mesmo em áreas da planta industrial, como tanques de armazenamento

Durante o processo de limpeza de uma plataforma, como a realizada em tanques de armazenamento, é feito o monitoramento do local e da borra, para saber se existe a presença de NORM/TENORM. Caso o resultado seja positivo, além da limpeza, será preciso realizar a descontaminação. 

Caso seja encontrado material NORM/TENORM, é necessário que a equipe responsável pela descontaminação e limpeza utilize Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, sejam dosimetrados e tenham um Supervisor de Radioproteção, que irá ou não autorizar o início do trabalho.

Para garantir a proteção de todos os profissionais embarcados e a segurança de toda a área, é necessário um processo de descontaminação completo, que consiste em:

  • segregação de material contaminado conforme sua natureza e forma física;
  • separação de isótopos contaminantes do material;
  • rejeitos devidamente embalados e guardados em local seguro até sua deposição para a CNEN.

Também existem peças e partes das plataformas de petróleo que precisam ser descontaminadas. Elas, depois da sua vida útil, ou são descartadas, ou passam por algum tipo de manutenção e recuperação, sendo reaproveitadas pela mesma empresa, ou vendidas.

Independentemente de qual destino tenham essas peças e partes, elas precisam ser transferidas sem que contenha nenhum risco de contaminação radioativa. 

Técnicas de Descontaminação

A eficácia da descontaminação é geralmente medida com um fator de descontaminação (Decontamination Factor – DF) definido como DF = atividade inicial / atividade residual.

A escolha do tipo certo de intervenção deve levar em conta:

  • tipo de superfície a ser descontaminada, incluindo rugosidade, porosidade, revestimentos, etc.;
  • condições radiológicas;
  • capacidade para tratamento e condicionamento de quaisquer resíduos secundários;
  • tempo disponível / requerido para aplicação;
  • segurança potencial e impactos ambientais;
  • custo-benefício para o processo geral de descomissionamento;
  • natureza e volume prováveis ​​de resíduos secundários.

As técnicas utilizadas para a limpeza de materiais contaminados, como escala e lodo, são principalmente:

  • Extração química (dissolução) que pode usar reagentes não corrosivos, como detergentes, ácidos diluídos, álcalis ou produtos químicos agressivos, como ácidos fortes e outros reagentes corrosivos;
  • Técnicas de abrasivos mecânicos (escovagem, jateamento, jateamento de areia, jateamento abrasivo, etc.). As técnicas de jateamento utilizam materiais abrasivos suspensos em um meio que é projetado sobre a superfície a ser tratada;
  • Jato de água a alta pressão ou água (ultra) de alta pressão.

Os rejeitos radioativos devem ser armazenados pelos responsáveis do ativo Offshore de forma segura e em conformidade com a legislação vigente no país. Ainda não existe no país, um depósito de material NORM/TENORM, nem mesmo pertencentes à CNEN.

As Normas Regulamentadoras e limpeza em tanques no Offshore

Para que a empresa prestadora de serviços possa realizar o serviço de limpeza no Offshore, é preciso estar de acordo com algumas Normas Regulamentadoras, como a NR-33, a NR-35 e a NR-37. Saiba mais sobre elas abaixo:

NR33

O objetivo da NR-33 é reconhecer, avaliar, monitorar e controlar os riscos existentes em espaços confinados. E é ela também quem estabelece os requisitos mínimos para identificar o que é um espaço confinado.

Se a NR-33 for seguida de forma correta, ajudará a garantir a segurança e saúde de quem trabalhará em um espaço confinado, seja interagindo direta ou indiretamente nesse espaço. E os tanques das plataformas são considerados espaços confinados.

O que é um espaço confinado?

Um espaço confinado é qualquer área não projetada para ocupação contínua, com meios limitados de entrada e saída, sem ventilação apropriada para remover contaminantes ou onde possa existir pouca quantidade de oxigênio.

Dentro desses espaços confinados, são realizadas atividades, como: obras da construção civil e naval, operações de salvamento, resgate e manutenção, reparos, limpeza e inspeção de equipamentos e reservatórios.

Por ser um espaço confinado, os riscos são altos e diversos. Entre os riscos presentes, podemos destacar a falta ou excesso de oxigênio, risco de incêndios e explosões, soterramento, choques elétricos, esmagamentos, inundação, queimaduras, intoxicações, entre outros.

NR-35

A NR-35 determina os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho em altura, envolvendo a organização, o planejamento e a execução, garantindo, assim, a saúde e segurança dos trabalhadores envolvidos com esta atividade, seja direta ou indiretamente.

Trabalho em altura é toda atividade executada acima de 2,00m (dois metros) do nível inferior, onde haja risco de queda. E um tanque de um ativo Offshore, apesar de ser considerado um espaço confinado, é muito alto.

A importância da Análise de Risco

Uma das principais causas de mortes de trabalhadores, se deve a acidentes envolvendo queda de pessoas e materiais. Ao ser realizada a Análise de Risco, é possível regularizar o processo e tornar os trabalhos mais seguros, para poder intervir em situações de perigo ou risco. 

Segundo o subitem 35.4.5.1 da NR-35:

A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho em altura, considerar:

  • o local em que os serviços serão executados e seu entorno;
  • o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho;
  • o estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem;
  • as condições meteorológicas adversas;
  • a seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de proteção coletiva e individual, atendendo às normas técnicas vigentes, às orientações dos fabricantes e aos princípios da redução do impacto e dos fatores de queda;
  • risco de queda de materiais e ferramentas;
  • os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos;
  • o atendimento aos requisitos de segurança e saúde contidos nas demais normas regulamentadoras;
  • as condições impeditivas;
  • as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, de forma a reduzir o tempo da suspensão inerte do trabalhador;
  • a necessidade de sistema de comunicação;
  • a forma de supervisão.

NR-37

A NR-37 é a mais nova Norma Regulamentadora destas três, e é totalmente voltada para o Offshore. Ela estabelece os requisitos mínimos de segurança, saúde e condições de convívio em plataformas Offshore que estão em operação em águas nacionais.

A NR-37 aborda todos os pontos essenciais para que empresas contratantes e contratadas possam realizar suas atividades no Offshore e possui uma parte totalmente voltada para as Radiações Ionizantes em plataformas de petróleo!

A norma diz que, durante todo o ciclo de vida da plataforma, a operadora deve adotar medidas para proteger os trabalhadores contra os efeitos nocivos da radiação ionizante, provenientes de operações industriais com fontes radioativas e de materiais radioativos de ocorrência natural (NORM/TENORM) gerados durante a exploração, produção e armazenamento na plataforma.

E se a empresa não cumprir com os requisitos da NR-37, quais risco ela corre?

No período de adaptação, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019, é fundamental que a empresa terceirizada se antecipe com relação a tudo o que é necessário para estar de acordo com a NR-37. Caso isso não ocorra, a empresa não poderá realizar os seus serviços.

Ou, se prestar serviços assim mesmo, pode gerar punições para ambas as partes, como multas para as empresas e até mesmo a interdição das operações da empresa contratante. Você imagina quanto causa de prejuízo um único dia de uma unidade Offshore parada?

Como descartar os rejeitos NORM/TENORM presentes nas plataformas Offshore?

Todo o material NORM/TENORM proveniente de processos de descontaminação ou de descomissionamento, é um material perigoso classe 7 – radioativo – e não pode ser armazenado em qualquer lugar sob quaisquer condições. É necessário que estes rejeitos radioativos sejam gerenciados da forma correta.

Os rejeitos precisam ser separados de acordo com as formas físicas (sólido, líquido e gasoso) e acondicionados em recipientes apropriados, como tambores de metal, bombonas de plástico ou outro tipo de recipiente especialmente destinado para este tipo de rejeito.

Os rejeitos radioativos também precisam ser analisados, rotulados e tudo isso precisa ser posto em um local seguro, dentro do que a legislação da CNEN e o IBAMA exigem. Entretanto, até que o rejeito radioativo tenha o seu destino definido, precisa de um depósito para ficar armazenado. E no Brasil, ainda não existe este tipo de depósito, apesar de empresas estarem atrás de soluções para isso.

Por enquanto, o material fica armazenado na planta de produção, o que não é o ideal, uma vez que podem ocorrer vazamentos e contaminações na planta de produção.

Como escolher a melhor empresa para realizar a limpeza do seu ativo Offshore?

Existem diversas empresas que fornecem o serviço de limpeza de ativos Offshore, mas não são todas que realizam a descontaminação.

É possível você contratar uma empresa que realize apenas a limpeza, mas caso sejam encontrados materiais radioativos, terá que contratar uma outra empresa para resolver o problema. Não é ideal!

Ter dois trabalhos podendo ter apenas um e perder mais dias de plataforma parada, é prejuízo na certa. Mas, para otimizar o tempo, ser mais eficiente e economizar dinheiro, não é melhor contratar a empresa que realize os dois tipos de serviço de uma vez?

Achamos que você já sabe a resposta!

É importante saber que a radiação causa diversos efeitos biológicos às pessoas expostas a ela, dependendo da dose de exposição. Se você quer evitar todos os efeitos da radiação ionizante no ambiente de trabalho, precisa de um Serviço de Radioproteção bem preparado e de um bom Plano de Radioproteção detalhado e eficiente.

Também é possível contratar empresas especializadas para cuidar da sua proteção radiológica se, por algum motivo, for gerada muita dor de cabeça ao implementar um Serviço de Radioproteção por conta própria.

Para você que deseja ser um especialista no assunto, preparamos um material completo com tudo o que você precisa saber sobre Radioproteção.

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