Diferenças entre Contaminação e Irradiação

Atualizado em 16/02/2021

A contaminação é a presença de um material indesejável (radioativo ou não) em determinado local. Já a irradiação, é a exposição de um objeto ou de um corpo à radiação. 

É possível haver irradiação sem existir contaminação. Um indivíduo pode sofrer irradiação total ou de parte de seus tecidos à radiação, podendo ter resultados bastante diferenciados se a exposição ocorreu de uma única vez, de maneira fracionada ou se periodicamente.

Os três tipos de irradiação

Podemos entender que a irradiação é dividida em três tipos: exposição única, exposição fracionada e exposição periódica.

As exposições únicas podem ocorrer em exames radiológicos, como por exemplo, uma tomografia. Enquanto nos tratamentos radioterápicos ocorrem exposições fracionadas.

Já as exposições periódicas acontecem em determinadas rotinas de trabalho com material radioativo em instalações nucleares. Para uma mesma quantidade, os efeitos biológicos da radiação resultantes podem ser muito diferentes. 

Assim, se ao invés de fracionadas, as doses de irradiação aplicadas nos pacientes em tratamentos de câncer fossem dadas de uma única vez em cada um, a probabilidade de morte seria muito grande.

A exposição contínua ou periódica que o homem sofre da radiação cósmica produz efeitos de difícil identificação. O mesmo não aconteceria se a dose acumulada em 50 anos fosse concentrada numa única vez.

Exposição de corpo inteiro, parcial ou colimada

Um trabalhador que opera com material ou gerador de radiação ionizante pode expor o corpo todo ou parte dele, durante sua rotina ou num acidente. Um operador de gamagrafia sofre irradiação de corpo inteiro na sua rotina de expor, irradiar a peça, recolher e transportar a fonte. 

A fonte é um equipamento ou material que emite ou é capaz de emitir radiação ionizante ou de liberar substâncias ou materiais radioativos.

Em alguns acidentes, como a perda e posterior resgate da fonte de irradiadores, expõe mais as extremidades do que as outras partes do corpo. Uma pessoa que manipula radionuclídeos expõe bastante suas mãos. No tratamento radioterápico, a exposição do tumor a feixes colimados de radiação é feita com muita precisão e exatidão.

Uma dose altíssima de radiação instantânea pode causar a falência do sistema imunológico, enquanto a mesma quantidade distribuída em várias ocasiões não tem efeito danoso.

Na esterilização e conservação de frutas, especiarias, peixes e carnes com radiação gama, as doses aplicadas chegam a 10 kilograys(kGy) e em radioterapia, a 2 Gy por aplicação. São feixes intensos e capazes de induzir à morte uma pessoa se aplicados de uma única vez e no corpo todo.

Os feixes utilizados em radiologia são de intensidade média, comparativamente, pois atingem alguns miligrays (mGy) e não devem ser recebidos por uma pessoa com muita frequência, sob pena de acarretar algum dano biológico.

A radioatividade natural induz ao homem doses de radiação da ordem de 1 mGy por ano. Poucos são os efeitos identificáveis e atribuídos exclusivamente a este tipo de radiação.

Contaminação e Irradiação: E a exposição por fótons, partículas carregadas ou nêutrons?

A grande maioria das práticas com radiação ionizante envolve fótons provenientes de fontes de radiação gama ou geradores de raios X. É o que acontece em radiodiagnóstico, radioterapia, radiografia industrial e medição de nível e densidade.

Nas instalações nucleares, mais precisamente em seus reatores, além dos fótons, existem fluxos de nêutrons gerados na fissão dentro dos elementos combustíveis que atingem as áreas de manutenção e operação da máquina.

Alguns medidores de nível de densidade e instrumentos para prospecção de petróleo utilizam fontes e geradores de nêutrons.

Os feixes de partículas carregadas têm nos aceleradores lineares de elétrons, nos cíclotrons com feixes de prótons e nos radionuclídeos emissores beta e alfa, os principais representantes.

Os fótons e nêutrons constituem as radiações mais penetrantes e causam danos biológicos diferentes conforme a taxa de dose, energia e tipo de irradiação. Os feixes de elétrons têm um poder de penetração regulável, conforme a energia estabelecida na máquina aceleradora.

A radiação beta proveniente de radionuclídeos em aplicadores oftalmológicos e dermatológicos tem alcance de fração de milímetro no tecido humano.

As radiações alfa são pouco penetrantes, mas doses absorvidas devido a radionuclídeos de meia-vida incorporados nos sistemas respiratório ou digestivo de uma pessoa, podem causar danos 20 vezes maiores que iguais valores de doses de radiação X, gama ou beta.

Quadro com quantidades de radiação

A dose efetiva média anual global por pessoa é de cerca de 2,4 mSv, e varia em cerca de 1 mSv a mais de 10 mSv, dependendo do local onde as pessoas vivem.

Conclusão

A contaminação é a presença de um material indesejável em um local, enquanto a irradiação é a exposição de um objetivo ou de um corpo à radiação. Sabemos ainda, que é possível a irradiação acontecer, mesmo sem existir contaminação. 

A radiação pode acarretar inúmeros efeitos biológicos aos indivíduos expostos. E, para evitar que casos assim aconteçam, é de suma importância que haja um Serviço de Radioproteção bem preparado no ambiente de trabalho, que acompanhe as normas da CNEN.

Também é possível contratar empresas especializadas em Radioproteção para cuidar da proteção radiológica da sua empresa ou da empresa em que você trabalha.

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