IOE e os Cuidados Básicos de Radioproteção

Como provavelmente você já sabe, IOE é a abreviação para Indivíduo Ocupacionalmente Exposto. A prática de um IOE diz respeito à exposição normal ou potencial do indivíduo a toda atividade humana que introduz fontes de exposição, vias de exposição adicionais ou estende a exposição a mais pessoas. 

Ela também está relacionada à modificação do conjunto de vias de exposição de vida a fontes existentes, aumentando a probabilidade de exposição de pessoas ou o número de pessoas expostas. Por isso, a regulação da segurança radiológica é estabelecida em bases legais, governamentais e técnicas.

As empresas que lidam com materiais radioativos, mesmo que não seja como produto, mas como parte ou consequência da dinâmica da atividade, são obrigadas a seguir as normas da CNEN se quiserem continuar em atividade. Por essa razão, é fundamental seguir os princípios e cuidados normatizados pela instituição que regulamenta e fiscaliza toda ocorrência dentro e fora do âmbito profissional acerca de materiais radioativos.

Cuidados Básicos de Radioproteção

As radiações externas podem ser controladas operando-se com três parâmetros fundamentais: tempo, distância e blindagem.

Tempo

A dose acumulada por uma pessoa que trabalha numa área exposta a uma determinada taxa de dose é diretamente proporcional ao tempo em que ela permanece na área. Essa dose pode ser controlada pela limitação desse tempo:

Como o tempo de permanência em áreas de trabalho nas quais existem materiais radioativos ou fontes de radiação variam conforme o tipo de tarefa a ser realizada, procedimentos de redução na dose do IOE devem ser empregados.

Nesse caso, os recursos mais utilizados são: o aumento da distância ou a introdução de material de blindagem entre o homem e a fonte de radiação.

Deve-se sempre ter em mente que quanto menor o tempo de exposição, menores serão os efeitos causados pela radiação.

Porém, o recurso mais eficaz de redução do tempo de execução de uma tarefa é o treinamento do operador, isto é, a otimização de sua habilidade.

Distância

Para uma fonte puntiforme, emitindo radiações em todas as direções, o fluxo – que é proporcional à taxa de dose numa determinada distância da fonte – é inversamente proporcional ao quadrado dessa distância.

Vale lembrar que essa relação somente é verdadeira para uma fonte puntiforme, um detector puntiforme e absorção desprezível entre a fonte e o detector. Isto porque, ela se baseia no ângulo sólido definido pela fonte (puntiforme) e a superfície de uma calota esférica definida pela distância r, entre fonte e objeto alvo, durante o tempo t de exposição.

A lei do inverso do quadrado é dada por:

Onde é a taxa de dose na distância r1 da fonte e é a taxa de dose na distância r2 da fonte.

Note-se que, duplicando a distância entre a fonte e o detector, reduz-se a taxa de dose a 1/4 de seu valor inicial. Dessa forma, o modo mais fácil de evitar exposição às radiações ionizantes é ficar longe da fonte.

Blindagem

As pessoas que trabalham com fontes ou geradores de radiação ionizante devem dispor de procedimentos técnicos bem elaborados, de modo que o objetivo da tarefa seja concretizado e sua segurança esteja garantida contra exposições desnecessárias ou acidentais.

Os cuidados mencionados anteriormente, fatores de tempo e distância em relação às fontes radioativas, estão implícitos na habilidade e destreza de um técnico bem treinado para a tarefa.

Por não apresentar hesitações durante sua execução, sua duração é mínima (tempo); por dominar todos os elementos do processo, não comete enganos, se posiciona no lugar adequado (distância) e com a postura correta.

Entretanto, em certas situações, principalmente quando se opera com fontes intensas ou níveis elevados de radiação, além de colimadores, aventais, labirintos e outros artefatos, é necessário introduzir outro fator de segurança: a blindagem ou barreira.

A escolha do material de blindagem depende do tipo de radiação, atividade da fonte e da taxa de dose que é aceitável fora do material de blindagem.

Entendendo a relação entre IOEs e Dosímetros

Dosímetro é um tipo de monitor que mede determinadas grandezas radiológicas ou operacionais, mas com resultados relacionados ao corpo inteiro, órgão ou tecido humano.

Trata-se de um equipamento simples que acompanha o IOE durante suas atividades. É uma maneira eficiente de controlar o quanto o indivíduo está sendo exposto à radiação ionizante.

Além das propriedades gerais de um monitor de radiação, o dosímetro deve ter as seguintes características:

  • resultados em dose absorvida ou dose efetiva (ou taxa);
  • ser construído com material tecido-equivalente;
  • possuir fator de calibração bem estabelecido;
  • suas leituras e calibrações são rastreadas a um laboratório nacional e à rede do BIPM(International Bureau of Weights and Measures);
  • incertezas bem estabelecidas e adequadas para sua aplicação;
  • modelo adequado para cada aplicação;
  • modelo adequado para cada tipo e intensidade de feixe.

O dosímetro pode ser utilizado em medições absolutas, como em câmaras de ar livre, câmaras cavitárias de grafite ou câmaras de extrapolação.

Nas medições relativas, onde é necessário conhecer o fator de calibração (rastreamento metrológico), são muito utilizadas as câmaras tipo dedal para fótons e elétrons, câmaras de placas paralelas para raios X de baixa energia e elétrons de alta energia, e as câmaras esféricas de grande volume para radioproteção.

Os modelos descritos podem atuar como padrões de laboratórios, sendo usados em clínicas de radioterapia ou para dosimetria de feixes ou de indivíduos. 

Responsabilidade dos IOEs da instalação

O Plano de Radioproteção de uma empresa deve estabelecer as duas atribuições fundamentais dos IOEs da instalação.

  • Executar as atividades de rotina em conformidade com regulamentos de segurança e radioproteção estabelecidos pelo Titular (Direção) da Instalação;
  • Informar ao Serviço de Radioproteção e aos seus superiores, qualquer evento anormal que possa acarretar níveis de exposição ou risco de ocorrência de acidentes.

Ou seja, os IOEs têm um papel fundamental dentro das instalações nas quais seus colaboradores correm risco de exposição à radiação ionizante. E, por isso, esses profissionais devem seguir os princípios básicos de Radioproteção.

Conclusão

A radiação, em especial a radiação ionizante, acarreta diversos efeitos biológicos aos indivíduos expostos a ela de acordo com a dose e a forma de resposta. 

Por isso, a melhor maneira de evitar os efeitos estocásticos e determinísticos da radiação ionizante no ambiente de trabalho é através de um Serviço de Radioproteção bem preparado.

Se sua equipe tem Indivíduos Ocupacionalmente Expostos é necessário estabelecer um Plano de Radioproteção detalhado e eficiente para que todos os profissionais expostos à radiação tenham a proteção adequada de acordo com as normas da CNEN.

Também é possível contratar empresas especializadas em Radioproteção para cuidar da proteção radiológica da sua empresa ou da empresa em que você trabalha.

Para você que deseja ser um especialista no assunto, preparamos um material completo com tudo o que você precisa saber sobre Radioproteção.

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