Radioproteção – Tudo que você precisa saber!

Atualizado em 02/02/2021

A Radioproteção é um conjunto de ações que visa proteger, tanto as pessoas quanto o ambiente de trabalho de possíveis efeitos causados pelas radiações ionizantes.

Neste artigo, vamos facilitar o entendimento sobre Radioproteção e mostrar a importância de um serviço de qualidade e confiança para zelar pela segurança de todos os funcionários de uma indústria.

O que é Radiação

Os materiais radioativos e a sua decorrente radioatividade produzida existem no espaço sideral desde a origem do universo, começando a ser utilizados a partir do séx. XIX. A Radiação é a propagação de energia na forma de ondas eletromagnéticas ou de partículas. A onda eletromagnética, por sua vez, é uma forma de energia constituída por campos elétricos e campos magnéticos, que variam e oscilam em planos perpendiculares entre si, e que são capazes de propagar-se no espaço. No vácuo, sua velocidade de propagação é de 300.000 km/s.

Entendendo a potência e as consequências da Radiação, é possível atuar na Radioproteção em diversos setores do mercado, zelando pela saúde e bem estar de todos os envolvidos.

Desde a descoberta da Radiação, séculos de pesquisas forneceram dados e grande conhecimento acerca dos mecanismos biológicos pelos quais ela pode afetar a saúde, colaborando nos estudos a favor da Radioproteção.

Radioproteção

Radioproteção ou Proteção Radiológica é um conjunto de medidas que protegem o homem e o ecossistema de possíveis efeitos indesejáveis, causados pelas radiações ionizantes.

Para isso, ela analisa os diversos tipos de fontes de radiação, as diferentes radiações e modos de interação com a matéria viva ou inerte, as possíveis consequências e sequelas à saúde e riscos associados.

Para avaliar quantitativa e qualitativamente esses possíveis efeitos, necessita-se definir as grandezas radiológicas, suas unidades, os instrumentos de medição e detalhar os diversos procedimentos do uso das radiações ionizantes.

O tema demonstra grande complexidade e responsabilidade! A saúde dos funcionários e do meio ambiente pode estar em risco, por isso, muitas indústrias buscam empresas especializadas em segurança industrial e radioproteção. 

Além da confiança e segurança, ao contratar um serviço de radioproteção de qualidade, a indústria também reduz custos, pois transfere parte da sua responsabilidade pelo cuidado e manuseio de material radioativo para uma empresa com expertise em radioproteção. Dessa forma, as companhias evitam problemas com mão de obra fixa e com a legislação, que é bastante dura no que diz respeito à radiação.

Normas e Procedimentos para Radioproteção

ICRP – A Comissão Internacional de Radioproteção é uma organização independente, internacional e não governamental, com a missão de fornecer recomendações e orientações sobre proteção contra radiações, além de definir procedimentos em situações de emergência, caso o funcionamento de uma instalação ou prática radiológica esteja fora da normalidade. 

ICRU – Comissão Internacional de Unidades e Medidas cuida das grandezas e unidades, seu processo de aperfeiçoamento e atualização.

Os parâmetros estabelecidos nas publicações da ICRP e ICRU constituem recomendações internacionais. Cada país pode ou não adotá-las, parcial ou totalmente, dependendo do estágio de desenvolvimento do país, da capacidade ou da viabilidade de execução, em cada área de aplicação.

IOE – Indivíduo Ocupacionalmente Exposto, ou seja, a nomenclatura para a medida de exposição normal ou potencial do indivíduo a toda atividade humana que introduz fontes de exposição, vias de exposição adicionais, ou estende a exposição a mais pessoas. As empresas que lidam com materiais radioativos mesmo que não como produto, mas como parte ou consequência da dinâmica da atividade são obrigadas a seguir as normas da CNEN se quiserem continuar em atividade. 

Princípios de Radioproteção

A verdadeira cultura de segurança em relação à radioproteção inclui: estrutura, organização, prática, habilidade, treinamento, conhecimento, entendimento coletivo e trabalho em equipe.

Muitas vezes, medidas de Segurança Física e Segurança do Trabalho coincidem com as de Radioproteção, evitando situações de insalubridade e periculosidade, que podem trazer danos visíveis aos funcionários das indústrias. Porém, as regras para Radioproteção são ainda mais exigentes, pois quando os limites máximos permissíveis são ultrapassados, dificilmente algum dano é constatado, tornando-se tarde demais. 

É fundamental seguir os princípios e cuidados normatizados pela instituição que regulamenta e fiscaliza toda ocorrência dentro e fora do âmbito profissional acerca de materiais radioativos, evitando questões legais, trabalhistas e financeiras.

Os 3 princípios fundamentais da Radioproteção 

Justificação

Os objetivos da proteção contra as radiações são a prevenção ou a diminuição dos seus efeitos somáticos e a redução da deterioração genética dos povos, onde o problema das exposições crônicas adquire importância fundamental. Qualquer atividade envolvendo radiação ou exposição deve ser justificada em relação a outras alternativas e produzir um benefício líquido positivo para a sociedade.

Otimização

O princípio ALARA requer a otimização da Radioproteção em todas as situações onde possam ser controladas por medidas de proteção, particularmente na seleção, planejamento de equipamentos, operações e sistemas de proteção.

Limitações

Impõe-se que as doses particulares de Indivíduos Ocupacionalmente Expostos(IOE) e de indivíduos do público não devem exceder os limites anuais de doses estabelecidas.

Além disso, a  Radioproteção também tem como função limitar a probabilidade de ocorrência de efeitos estocásticos.

Cuidados de Radioproteção

As radiações externas podem ser controladas operando-se com três parâmetros fundamentais: tempo, distância e blindagem.

Tempo 

Menor tempo de exposição = menores os efeitos causados pela radiação
Otimização de habilidade = menor tempo de exposição

Distância

Para uma fonte puntiforme, emitindo radiações em todas as direções, o fluxo, que é proporcional à taxa de dose numa determinada distância r da fonte, é inversamente proporcional ao quadrado dessa distância.

A lei do inverso do quadrado é dada por: onde é a taxa de dose na distância r1 da fonte e é a taxa de dose na distância r2 da fonte.

Note-se que duplicando a distância entre a fonte e o detector, reduz-se a taxa de dose a 1/4 de seu valor inicial. Dessa forma, o modo mais fácil de evitar exposição às radiações ionizantes é ficar longe da fonte.

Blindagem

Quando se opera com fontes intensas ou níveis elevados de radiação, além da habilidade de um técnico bem treinado, é necessário introduzir a blindagem/barreira como fator de proteção. A escolha desse material depende do tipo de radiação, atividade da fonte e taxa de dose aceitável fora da blindagem.

Radioproteção e Meio Ambiente

A preocupação que a Radioproteção tem com o meio ambiente – principalmente em áreas de mineração -, sempre focou na preocupação com os níveis de exposição ou contaminação a que as pessoas podem estar expostas, direta ou indiretamente, apresentando doses de radiação e riscos adicionais de dano à sua saúde.

Assim, há muito tempo existem os programas pré-operacionais e operacionais de monitoração ambiental, de avaliação de impacto ambiental ou de risco de acidentes possíveis, modelos de dispersão e vias de exposição por material radioativo em acidentes, no licenciamento e implementação de instalações envolvendo material radioativo.

Regras Práticas de Radioproteção

Toda instalação que opera com material radioativo deve preparar um documento chamado “Plano de Proteção Radiológica”, descrevendo as diretrizes de Radioproteção que serão adotadas por toda a instalação e por toda a equipe.

Elementos imprescindíveis que um bom plano de Radioproteção deve ter:

  • Identificação da instalação e de seu Titular (Direção);
  • A função, classificação e descrição das áreas da instalação;
  • A descrição da equipe, das instalações e equipamentos do Serviço de Radioproteção;

Além disso, o Plano de Proteção Radiológica deve descrever as atribuições do Titular (direção) da Instalação, do Supervisor de Radioproteção e dos IOE da Instalação.

Cada um deve ter suas responsabilidades devidamente detalhadas no plano.

Transporte

O uso de material radioativo, muitas vezes, requer o seu transporte entre instalações. Para isso, ele deve ser acondicionado em uma embalagem apropriada, que é projetada e construída para ser uma barreira efetiva entre ele e o meio ambiente

Os requisitos de transporte se aplicam a todas as modalidades de transporte de materiais radioativos, ou seja, terrestre, aquático(fluvial e marítimo) e aéreo. Englobam todas as operações e condições relativas ao transporte, tais como desenho, fabricação, manutenção e reparo de embalagens, descarga, recepção, armazenamento em trânsito, entre outras. Sempre que possível, deve-se evitar requisitos aplicáveis a um só meio de transporte, de forma a facilitar o transporte multimodal.

Para que o transporte seja realizado de forma segura para pessoas, objetos e o próprio meio ambiente, foram criadas normas internacionais que servem como base para os regulamentos nacionais. Na classificação internacional de produtos perigosos da Organização das Nações Unidas(ONU), os materiais radioativos são incluídos na Classe 7.

Requisitos para o transporte de materiais radioativos:

  • Retenção do conteúdo radioativo para evitar a dispersão de material radioativo e sua possível ingestão ou inalação, tanto durante o transporte normal, como também em caso de acidente;
  • Controle do nível de radiação externa para reduzir o perigo devido à radiação emitida pelo embalado;
  • Prevenção de criticalidade para impedir o surgimento de uma reação nuclear em cadeia;
  • Prevenção de danos causados por calor para impedir a exposição do embalado a temperaturas elevadas e a consequente degradação do material radioativo.

Algumas companhias contratam empresas de Radioproteção de forma terceirizada para transportar as cargas com material ionizante. Através desse serviço, é possível diminuir custos e riscos  em qualquer que seja a atividade geradora de material radioativo. 

A Quantificação da Radiação Ionizante

É necessário quantificar a radiação exposta durante as atividades e saber como fazer essa quantificação usando a própria radiação, uma vez que muitas grandezas radiológicas definidas não são mensuráveis, e que radiações possuem propriedades que são invisíveis, inodoras, insípidas, inaudíveis e indolores. Além disso, elas podem interagir com os instrumentos de medição, modificando suas características.

Formas de quantificação

  • Campo de Radiação: forma intuitiva, que calcula a radioatividade em um intervalo de tempo, ou observa quantas radiações atravessam determinada seção ou área. 
  • Grandezas Dosimétricas: avaliação dos efeitos da interação da radiação com um determinado material, utilizando algum efeito ou subproduto.
  • Grandezas Limitantes: servem para indicar o risco à saúde humana – Quando os efeitos das interações acontecem no organismo humano e se as suas consequências podem ser prejudiciais à saúde, podem-se definir grandezas limitantes.
  • Grandezas Operacionais: grandezas radiológicas mais consistentes ou úteis nas práticas – Não são mensuráveis ou de fácil estimativa. 

Detectores de Radiação

É um dispositivo que, colocado em um meio onde exista um campo de radiação, é capaz de indicar a sua presença.

Existem diversos processos pelos quais diferentes radiações podem interagir com o meio material utilizado para medir ou indicar características dessas radiações, como, aquelas que envolvem:

  • A geração de cargas elétrica;
  • A geração de luz;
  • A sensibilização de películas fotográficas

Tipo da Radiação

Em geral, um detector que mede com grande eficiência um determinado tipo de radiação pode ser totalmente inadequado para medir outro tipo. Por exemplo, um detector para radiação de alta energia, como os fótons, não é o mais adequado para medir partículas alfa, radiação de baixa energia.

Monitores de Radiação para Radioproteção

O monitor de radiação é um detector construído e adaptado para radiações. Existem três tipos fundamentais de monitores de radiação: monitores individuais, monitores de área e monitores ambientais. Alguns destes dispositivos contém:  

  • Alarmes para valores de taxa ou de dose acumulada;
  • Facilidade de leitura direta;
  • Possibilidade de transmissão de dados para um sistema ou estação de monitoração;

Os monitores de área podem ser fixos: portal, mãos, pés, ou de medição constante da taxa de dose em determinada área. Os monitores usados na monitoração ambiental, podem ser estações de monitoração, contendo diversos dispositivos de detecção, como filtros, detectores de traço, TLD, detectores ativos.

Calibração de Detectores: rastreabilidade

Os detectores que são utilizados em campo tendem a sofrer alterações em seu funcionamento e devem ser calibrados de tempos em tempos. A periodicidade da calibração de detectores é definida pelos órgãos reguladores. Como a calibração de detectores é feita com feixes de radiação e energias especificados e padronizados, a utilização de um detector para condições diferentes daquelas em que foi calibrado só pode ser feita com a utilização de fatores de conversão adequados.

Incertezas Associadas às Medições em Radioproteção

Em todas as medições de uma grandeza, o resultado deve ser expresso pelo valor obtido, com sua respectiva unidade, acompanhado do valor da incerteza expressa com um determinado intervalo de confiança.

A origem da incerteza está acoplada à precisão dos equipamentos, repetitividade e reprodutibilidade das medições e, quando comparada com um padrão, à exatidão e rastreabilidade. 

Como funciona a Radioproteção nas indústrias?

Existem diversas aplicações das radiações ionizantes no setor industrial, como:

  • Radiografia industrial;
  • Medidores nucleares;
  • Irradiação industrial;

Lembrando que para se trabalhar com radiações é necessário: ter conhecimentos teóricos e práticos de Radioproteção, física atômica, nuclear, princípios de dosimetria. 

Conclusão

Como parte essencial da segurança de um ambiente industrial, o serviço de Radioproteção é uma forma de prevenir doenças dos funcionários de uma Indústria, zelar pelo bem-estar de seus hereditários, cuidar do meio ambiente e, consequentemente, evitar futuros processos legais e prejuízos financeiros.

A radiação, principalmente, a radiação ionizante, existe desde o início do mundo. E, com o passar dos séculos, a tecnologia foi compreendendo um pouco sobre seus efeitos biológicos e como nos proteger deles. 

Dentro de um ambiente industrial, os profissionais podem ser expostos a diversas doses de radiação direta ou indireta, que ao longo do tempo podem trazer diversos efeitos estocásticos e determinísticos. 

Para evitar esse tipo de exposição nos processos industriais, a melhor escolha é garantir um Serviço de Radioproteção bem preparado, através de um Plano de Radioproteção, e uma equipe treinada e coesa, adequada às normas da CNEN, órgão responsável pela regulação e fiscalização de tudo que envolve radiação nuclear no país.

Caso sua empresa ache muito dispendioso implementar um Serviço de Radioproteção, também é possível contratar empresas especializadas para cuidar da proteção radiológica, como a LINCE.